Grandes Achados da Segunda Rodada: Quando os Olheiros Erraram o Alvo
⚡ Principais Pontos
- Minha opinião polêmica? As tabelas de draft deveriam dar menos importância aos números do combine e mais aos vídeos de jogos reais em ambientes competitivos.
- Então, quem é o próximo MVP da segunda rodada? Fique de olho em Emoni Bates, draftado em 49º lugar por Cleveland em 2023.
Olha, o Draft da NBA é uma loteria. Todo mundo sabe disso. As equipes gastam milhões em olheiros, análises e treinos particulares, e ainda assim, alguns dos maiores de todos os tempos escapam por entre os dedos como um porco ensaboado em uma feira. Estamos falando de caras escolhidos fora da loteria, até mesmo fora da primeira rodada, que acabaram levantando troféus Larry O’Brien e prêmios de MVP. É um lembrete humilhante de que, às vezes, o teste visual e as métricas simplesmente não capturam a imagem completa.
Pegue Nikola Jokic, por exemplo. O Denver Nuggets o draftou em 41º lugar geral em 2014. Quarenta equipes deixaram passar um cara que se tornaria duas vezes MVP e campeão da NBA. Em seu ano de calouro, ele teve médias de 10 pontos, 7 rebotes e 2,4 assistências, números sólidos, mas não exatamente gritando "superstar". Em sua terceira temporada, 2017-18, ele estava com 18,5 pontos, 10,7 rebotes e 6,1 assistências, uma anomalia estatística para um pivô. Olheiros, segundo muitos relatos, questionaram seu condicionamento e atletismo. Ele não pulava alto, não tinha um físico esculpido, e suas estatísticas universitárias no Mega Basket na Sérvia (11,4 pontos, 6,4 rebotes em 2013-14) não estavam exatamente impressionando ninguém. Mas sua visão de passe, seu senso de jogo e seu toque perto da cesta eram geracionais. Jokic agora ostenta médias de carreira de 20,9 pontos, 10,7 rebotes e 6,9 assistências até a temporada 2023-24, números que o colocam em um patamar raro entre os pivôs. A avaliação errada ali não foi apenas um pequeno descuido; foi um grande desfiladeiro de julgamento equivocado.
Depois, há Draymond Green, escolhido em 35º lugar geral pelo Golden State Warriors em 2012. Ele não era o maior, nem o mais rápido, e seu arremesso em Michigan State (16,2 pontos, 10,6 rebotes, 3,8 assistências em seu último ano) não gritava "futuro All-Star". O que os olheiros perderam foi seu espírito competitivo, sua versatilidade defensiva e seu QI de basquete. Green entendia ângulos, rotações e como atrapalhar o ataque de um oponente com uma força que poucos outros possuíam. Ele rapidamente se tornou a âncora defensiva e o líder emocional de uma dinastia dos Warriors que conquistou quatro campeonatos. Na temporada 2016-17, ele teve médias de 10,2 pontos, 7,9 rebotes, 7,0 assistências, 2,0 roubos de bola e 1,4 tocos, ganhando o prêmio de Jogador Defensivo do Ano. Suas médias de carreira de 8,7 pontos, 7,0 rebotes e 5,6 assistências não saltam aos olhos, mas seu impacto no jogo vai muito além da folha de estatísticas. Ele foi uma escolha de segunda rodada cujo valor era, sem dúvida, tão alto quanto qualquer escolha entre os 5 primeiros de sua classe.
Manu Ginobili, draftado em 57º lugar geral pelo San Antonio Spurs em 1999, é outra lendária falha. Ele estava jogando na Itália pelo Kinder Bologna, com média de 16,9 pontos na EuroLeague em 2001-02, um ano antes de vir para a NBA. Jogadores europeus ainda eram vistos com uma boa dose de ceticismo no final dos anos 90, muitas vezes considerados "moles" ou incapazes de se ajustar à fisicalidade da NBA. Ginobili, no entanto, era tudo menos mole. Ele atacava a cesta com abandono imprudente, tinha um arremesso de step-back perigoso e um talento para o dramático. Ele ganhou quatro campeonatos da NBA com os Spurs e foi duas vezes All-Star, com média de 13,3 pontos, 3,5 rebotes e 3,8 assistências ao longo de sua carreira de 16 anos. Seu movimento característico, o Euro Step, tornou-se um pilar na NBA, copiado por armadores em toda a liga. Ser escolhido em 57º lugar e entrar no Hall da Fama? Isso não é apenas um achado; é um grande roubo.
E não vamos esquecer Isaiah Thomas, a última escolha do draft de 2011, 60º no geral, pelo Sacramento Kings. Thomas era um armador de 1,75m, e a sabedoria convencional diz que você não drafta jogadores tão baixos, especialmente na NBA. Ele teve médias de 16,9 pontos e 3,2 assistências em seu último ano em Washington, números sólidos, mas seu tamanho sempre foi o elefante na sala. Ele desafiou todas as expectativas, tornando-se uma ameaça legítima de pontuação. Seu auge veio na temporada 2016-17 com o Boston Celtics, onde ele teve médias incríveis de 28,9 pontos e 5,9 assistências, terminando em quinto na votação de MVP. Naquele ano, ele teve 32 jogos com 30 ou mais pontos. Apesar de sua impressionante sequência, lesões atrapalharam sua carreira após aquela temporada, mas para uma 60ª escolha sequer cheirar uma cédula de MVP é inédito. Isso apenas mostra que coração e habilidade às vezes podem superar limitações físicas percebidas.
Aqui está a questão: os olheiros se prendem demais a medidas e a um potencial percebido. Eles estão procurando o próximo protótipo de superstar em vez de encontrar o cara que simplesmente sabe jogar basquete. Os caras que escapam são frequentemente um pouco mais velhos, um pouco mais baixos ou não se encaixam no molde do que um jogador moderno da NBA "deveria" parecer. Mas o que eles geralmente possuem é um espírito competitivo inigualável, um senso de jogo de elite e um chip no ombro do tamanho de um carro pequeno.
Minha opinião polêmica? As tabelas de draft deveriam dar menos importância aos números do combine e mais aos vídeos de jogos reais em ambientes competitivos. Você quer ver como um cara se comporta quando as apostas são altas, não apenas o quão alto ele pula em um ginásio vazio.
Então, quem é o próximo MVP da segunda rodada? Fique de olho em Emoni Bates, draftado em 49º lugar por Cleveland em 2023. Ele tem um toque de pontuador e jogou muitos minutos na G-League. Ele será um All-Star até 2028.
